O ritmo do dia a dia continua o mesmo, mas o organismo está em constante mudança! Este é um fato que acomete 100% da população madura. Silenciosamente o corpo humano deixa de absorver alguns dos nutrientes essenciais para manter a energia necessária e a saúde do organismo. E quando menos se espera a rotina de tantos anos já não é mais encarada com a mesma disposição.
Especialistas apontam que a partir dos 50 anos inicia-se uma fase importante de atenção e cuidados, pois os sinais do organismo ainda não estão muito claros apesar da queda de algumas funções. Mesmo com as mudanças inevitáveis, é possível se manter ativo e evitar o envelhecimento precoce do organismo. Para que isso aconteça, é imprescindível que bons hábitos de vida façam parte da rotina nesta fase, entre eles a prática de exercícios físicos e uma dieta balanceada.
No caso da alimentação, a atenção deve ser redobrada. Com o passar dos anos, o individuo desenvolve disfunções típicas da idade adulta, entre elas a desnutrição oculta, que se caracteriza por um consumo de alimentos pobre em calorias, proteínas, micronutrientes e fibras. Além disso, ao longo de tempo, as pessoas passam a sentir menos fome, perder paladar e mais tarde desenvolvem problemas para engolir alimentos mais viscosos, que também geram problemas nutricionais.
Segundo o nutrólogo e presidente da Associação Brasileira de Nutrologia, Durval Ribas Filho há várias maneiras de avaliar se a pessoa está desnutrida. O correto é se consultar com um especialista e realizar exames de bioimpedância, calorimetria indireta, antropometria, que é a medida das pregas cutâneas e do tecido adiposo subcutâneo. “A soma dessas análises permite um diagnóstico preciso da saúde do paciente”, explica o nutrólogo.
Um dos principais males muito conhecidos pelo passar dos anos, esta no desenvolvimento da osteopenia e a osteoporose, ligadas a falta de cálcio no organismo. Segundo o médico, não só a baixa ingestão desse micronutriente pode ser a causa do mal, mas também há quem possua um grau de intolerância à lactose clara, com reações imediatas ao consumo. “Nestes casos, as fezes ficam amolecidas e o intestino funciona em ritmo aumentado. Nos episódios onde existe a intolerância, há uma tendência natural de se evitar o consumo de leite e derivados, diminuindo ainda mais a ingestão de cálcio o que resulta um quadro cada vez mais perigoso”, explica.
Além disso, a vitamina D, importante para a permanência do cálcio no organismo, tem sido cada vez menos absorvida pela população, segundo estudos recentes. As pesquisas apontam uma considerável diminuição na exposição solar, inclusive na idade adulta. As pessoas se escondem do sol, mesmo nos horários permitidos pelos médicos.
O consumo de substâncias antioxidantes, que diminuem as lesões provocadas pelos radicais livres no organismo humano, como as vitaminas C, E, o betacaroteno (percursor da vitamina A), a Luteína e o Selênio, desempenham papel fundamental na proteção contra as doenças degenerativas mais freqüentes nos dias de hoje. Pesquisas mundiais comprovam a prevenção de cataratas, determinados tipos de câncer e cardiopatias.
Em entrevista ao PACIENTES ONLINE, o médico Durval Ribas Filho esclarece algumas dúvidas da população referentes a desnutrição oculta, como por exemplo, o diagnóstico e a prevenção.
PACIENTES ONLINE - A desnutrição oculta acomete qual parcela da população?
Durval Ribas Filho - Os pacientes geriátricos, com problemas odontológicos gerando dificuldades de mastigação e deglutição, os pacientes submetidos à cirurgia bariátrica, principalmente com técnicas cirúrgicas dissabsortivas, as comunidades com baixo poder aquisitivo e com baixa taxa de educação, os pacientes com doenças neurodegenerativas, as crianças e os adolescentes com pouco contato familiar, síndromes dissabsortivas, etc. são causas geradoras de desnutrição oculta.
POL - Há diagnóstico para o caso? Se sim, qual?
DRF - Após o aumento significativo das cirurgias bariátricas foi possível fazer diagnósticos mais precisos e com maior acurácia, visto que os processos disabsortivos favorecem a fome oculta; também com o aumento da população idosa favoreceu a desnutrição oculta. O diagnóstico não é tão simples, pois requer exames bioquímicos além de registro alimentar periódico. Mas o tratamento através de reposição mineral, vitamínica e dos macronutrientes envolvidos favorece a homeostase energética desses pacientes. O monitoramento médico é muito importante e fundamental para que esses pacientes possam ter uma boa resposta imunológica e boa resistência orgânica.
POL - Como é possível evitá-la?
DRF - Conforme ocorre o envelhecimento, as necessidades de determinados nutrientes aumentam. Por isso, é importante priorizar o consumo de alimentos de alto valor nutricional como verduras, legumes e frutas. Uma das questões que envolvem a desnutrição na idade adulta são os hábitos alimentares adquiridos, fatores culturais, financeiros, entre outros, que tornam essa a fase mais difícil de adaptação. Mesmo assim, é preciso estar atento às refeições para manter o bom funcionamento orgânico, como prevenção de doenças
e melhor saúde.
POL - O uso de suplementos vitamínicos pode auxiliar o combate à desnutrição oculta? Por que?
DRF - Para evitar a desnutrição, é preciso uma dieta balanceada e adequada ao estilo de vida e limitações de cada indivíduo. A recomendação é comer diariamente no mínimo três porções de frutas e três porções de legumes e verduras, mas estudos indicam que a maioria da população não consome a quantidade necessária de vitaminas e minerais só com a alimentação. Neste caso, para complementar a alimentação é indicado o consumo de suplemento de vitaminas e minerais ricos em antioxidantes.
Como combater a desnutrição oculta
Escrito por Redação - Terça-feira, 07 de Junho de 2011 - 08:20Em entrevista ao PACIENTES ONLINE, especialista dá dicas sobre diagnóstico e prevenção da doença.

















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