
Na foto: José R.R. Mello, Vinícius Almeida, e Marcelo Giacobbe.
Ligados às rotinas hospitalares de cirurgias, consultas, anestesias, doenças, tratamentos e partos, os médicos estão – cada vez mais – inclinados a sofrerem de estresse. Estudos atuais apontam que o estresse relacionado ao trabalho é cada vez mais frequente. Esta é, no geral, uma patologia na qual o médico muitas vezes veste a pele de doente.
Uma análise à investigação que tem sido feita nos últimos 30 anos sobre o problema permite concluir que este não se trata de um estado de espírito, mas de algo mensurável e perigoso.
Vários estudos, sobretudo realizados por neurobiólogos, em humanos e não humanos, revelam alguns efeitos desta doença: desorganizações cerebrais (atingindo, sobretudo, o hipocampo), aumento da adiposidade abdominal, desemparelhamento dos cromossomos, diminuição dos telómeros ao longo do tempo, doenças cardiovasculares, entre outras que ainda se estão em estudo.
Devido às crescentes preocupações sobre qualidade de vida no trabalho, a síndrome de burnout e estresse têm sido motivo de discussão entre os profissionais de saúde. O burnout é uma resposta ao estresse crónico que afeta, diretamente, o desempenho do trabalhador e implica sempre três aspectos: exaustão emocional, despersonalização e falta de realização profissional. Surge em resultado de um esforço prolongado ao lidar com fatores geradores de stress.
Já o estresse (que pode ser bom ou ruim) pode ser visível quando as suas manifestações fazem com que o indivíduo deixe de ser funcional em alguns aspectos da sua vida, ou seja, quando o problema torna-se incapacitante. O estresse e a pressão do cotidiano se acumulam e causam desgaste físico e mental, que pode evoluir para um problema grave de saúde.
Mudança de hábito
No caso dos médicos – principalmente os envolvidos com a reprodução humana assistida - a rotina da cirurgia, da fertilização, do tratamento para casais, das anestesias e partos tem sido frequente há mais de uma década no país com a mudança de comportamento da população brasileira.
De acordo com dados da Fertilivita Reprodução Humana, “a mudança de hábito da população causou mudanças no metabolismo da mulher. Além disso, a inclusão no mercado de trabalho e a competição com os homens fez com que a mulher se foque em outros objetivos”.
Outro fator ocorre porque a Fertilização, hoje, é decorrente da mudança comportamental da mulher, do aumento do poder aquisitivo e principalmente da mudança cultural da população. Isso tem aumentado a carga de trabalho para estes profissionais, já que hoje é muito mais acessível à população tratamentos para ter filhos em todo o território nacional.
Sair do estresse
Médicos, com mais de 20 anos de atuação (dois deles apenas) o outro foi “discipulado na residência”, atuando em especialidades como
anestesia, ginecologia e obstetrícia. Estes são José Roberto Rodrigues Mello, Marcelo Giacobbe -“o Dr. Cegonha” - e Vinícius Paula Almeida, respectivamente. A rotina não é das piores, mas é “extremamente estressante”, segundo Giacobbe.Para se livrar da rotina estressante da profissão é necessário uma “válvula de escape”, um hobby, por exemplo. No caso dos especialistas [Giacobbe, Mello e Almeida], a saída está nos passeios de motocicleta. Amantes da americana Harley-Davidson, os especialistas exibem os modelos mais variados e desejados do globo.
“Fui eu quem colocou os dois (Marcelo e Vinícius) no mundo das duas rodas. O Marcelo foi mais fácil, já o Vinícius teve que vender o Jet Sky”, lembra, sorrindo, Mello. “Tudo começou porque alguns amigos nos incentivaram a rodar. “Foi preciso uma volta com eles e comprei minha primeira moto”, comenta Mello.
Giacobbe começou com uma moto menor. Depois passou logo para uma Harley. “Comprei uma XL velhinha e fui buscar em Mairiporã (SP). Hoje tenho uma moto maior, uma Deluxe”, conta Feliz.
Os médicos contam que, no começo, foi difícil e que a ajuda de Mello foi determinante para que adquirissem segurança ao pilotar. “O Mello me acompanhava até em casa. Hoje eu que levo ele”, brinca Giacobbe. Almeida chegou até o mundo da motocicleta porque os amigos o abandonaram. “Não tinha mais ninguém para andar de Jet Sky comigo. Então resolvi vendê-lo e comprar a moto. Foi o Marcelo que achou ela pra mim”, comenta.
O programa destes especialistas da medicina não se limita a viagens e passeios pelas estradas de São Paulo, apesar de ser o grande play ground da maioria dos motociclistas da cidade. Este mês, eles vão para os EUA e vão rodar na lendária “oute 66”. “Vamos de Los Angeles para Las Vegas”, conta Giacobbe.
Almeida afirma que “quando sobe na moto se esquece da rotina e se sente aliviado. A estrada, o barulho do motor, as curvas, tudo isso nos faz esquecer da rotina estressante e nos traz uma sensação não só de liberdade, mas principalmente de bem estar”.
Curiosidades

Entre os fatos mais curiosos destes médicos, o destaque está em dois episódios. O primeiro na construção de um estacionamento para motos dentro do Hospital São Luiz, unidade Anália Franco, criado especialmente para os “Doc Riders”. “Ninguém tinha moto no Hospital e não tinha estacionamento. Quando chegamos de moto lá, eles deslocaram uma área que era de carros para pararmos as motos. Hoje, temos espaços até para os capacetes”, conta Mello.
Outro fato é que no meio de uma viagem de moto (dentre muitas que já ocorreram com os médicos) fomos obrigados a voltar e realizar um parto. “Entramos no centro cirúrgico com os capacetes e as bandanas da Harley e operamos daquele jeito.”, comenta Giacobbe.

















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