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Mortes por Trombose e embolia pulmonar são maiores dentro do hospital

Escrito por Luciano Palumbo - Sexta-feira, 29 de Outubro de 2010 - 04:02
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Fernando Lundgreen, Guilherme Pitta, Ana Thereza Rocha, José Ribamar Branco e João Pantoja Fernando Lundgreen, Guilherme Pitta, Ana Thereza Rocha, José Ribamar Branco e João Pantoja

De acordo com o Datasus, fonte de dados em saúde do Ministério da Saúde, entre setembro de 2009 e agosto de 2010, do total de 4.963 pessoas hospitalizadas no Sistema Único de Saúde (SUS), 1.087 morreram - cerca de 21,9%. Apesar da alta taxa de mortalidade da doença, uma pesquisa divulgada nesta terça-feira (26) mostrou que a embolia pulmonar é desconhecida por 78% dos brasileiros. O levantamento foi realizado pelo Ibope a pedido da Sociedade Brasileira de Angiologia e de Cirurgia Vascular (SBACV) e da Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia (SBPT) e pelo laboratório Sanofi-Aventis. Dentre os 1.008 entrevistados, 39% já tinham ouvido falar da doença, mas não sabiam do que se tratava, enquanto outros 39% sequer conheciam a enfermidade.

 
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O risco de trombose foi avaliado por meio de um questionário específico que mediu fatores como idade, peso e histórico de doenças. Outro problema apontado pelo relatório é que essas pessoas praticam menos atividade física, têm mais excesso de peso e fumam mais - conhecidos agravantes do problema. Sobre embolia pulmonar, a complicação mais preocupante da trombose, o grau de desconhecimento é ainda maior: quase 80% não sabem o que significa ou nunca ouviram falar no assunto.

Dados

A cada dez pessoas que dão entrada num hospital público por causa de embolia pulmonar (EP), pelo menos duas delas irão morrer. O poder de morte da embolia pulmonar (21,9%) é maior do que o de outras doenças mais conhecidas, como o infarto agudo do miocárdio (com 12,8% de taxa de mortalidade), a tuberculose pulmonar (6,9%) e o mal de Alzheimer (18,8%).

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A embolia pulmonar é uma complicação de outra doença: a trombose. O tromboembolismo venoso (TEV) ocorre quando um coágulo (trombo) bloqueia a circulação sanguínea. Quando esses trombos se fixam dentro de vasos profundos da perna, coxa ou pelve – os membros inferiores concentram 90% dos casos – a doença é chamada de trombose venosa profunda (TVP). Os sintomas mais comuns são inchaço da perna, endurecimento da panturrilha (empastamento) e aparecimento de veias e varizes. O tratamento da TVP ocorre por meio de anticoagulantes que impedem o crescimento do trombo e a formação de novos coágulos. No entanto, se essa doença não for identificada e tratada, o trombo pode cair na corrente sanguínea e atingir o pulmão, bloqueando as artérias pulmonares – configurando a embolia pulmonar. O estudo revelou que a população não tem informações suficientes sobre a trombose e desconhecem os riscos de desenvolver a doença. Apesar de 56% da população afirmar que já ouviu falar da trombose, 57% desconhece seus sintomas e consequências.

Em entrevista ao PACIENTES ONLINE, especialistas que apresentaram a pesquisa destacam pontos importantes como o diagnóstico, prevenção, cuidados nos hospitais e educação continuada.

POL - Como impedir a progressão da doença e diagnosticá-la?
Guilherme Pitta, presidente da SBACV – Na verdade, é necessário um consenso engtre as entidades médicas. É importante impedir a progressão da trombose e reduzir as dores e edemas para evitar sequelas e complicações, como a embolia pulmonar. São, greralmente, uma série de fatores de risco que aumentam as chances de uma pessoa desenvolver os trombos: AVC, câncer, infarto, tabagismo, idade superior a 40 anos, reposição hormonal, quimioterapia, gravidez, pós-parto, obesidade, presença de varizes, dentre outros.Mas a situação que aumenta de forma significativa as chances de tromboembolismo venoso são as cirurgias, em especial aquelas que reduzem a mobilidade do paciente.

POL – Porque o risco é grande nos hospitais?
Ana Thereza Rocha, pneumologista, da Universidade Federal da Bahia (UFBA) - No hospital são mais freqüentes os casos de TEV e EP. No geral, ainda a falta de inbformação é o mais agravante. O paciente precisa alertar seu médico sobre todas as questões mencionadas com relação aos fatores de risco. Além disso, o hospital precisa identificar o risco de TEV em todos os pacientes internados. Atualmente não existe um acompanhamento dos hospitais. Temos um estudo de nome Endorse, que foi feito em 2008 em 32 países. No Brasil, 1.295 pacientes de 12 hospitais foram avaliados. Os resultados mostraram que, apesar de 56% deles serem candidatos a desenvolver TEV, somente 51% recebiam o tratamento adequado.

POL - Como diminuir este risco?
João Pantoja, coordenador de pneumologia da Rede D’Or Hospitais - Na verdade, temos que pontuar melhor estas questões. Os riscos não são exclusivos do período de internação no hospital. Em geral, mesmo quando os pacientes que passam por cirurgia deixam o hospital, é preciso manter o acompanhamento e o tratamento adequado com anticoagulantes para impedir a formação dos trombos. Se forem internadas por uma pneumonia ou um problema cardíaco, por exemplo, essas pessoas precisam de medidas de profilaxia, independente da dose, precisam tomar o medicamento.

POL- O que falta para mudar este quadro?
José Ribamar Branco, diretor clínico do Hospital São Camilo -  Temos uma opinião que não diverge: falta que haja uma pulação mais informada, só assim ela poderá interferir nos fatores de risco e alertar os profissionais de saúde sobre suas condições, isso é consenso entre nós profissionais. Os hospitais precisam gerenciar isso e identificar os pacientes de risco, mas ainda é necessário uma educação com profissionais de saúde e população.

POL – Com relação as mortes, porque não há exames de rotina nos hospitais?
Fernando Lundgreen, diretor da Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tsisiologia - Temos que melhorar nossos profissionais dentro das instituições. O alto risco de desenvolver trombose atinge 41,4% dos brasileiros. O resultado não surpreende porque mesmo entre os médicos não é feita uma avaliação de risco de forma rotineira nos pacientes hospitalizados. Desde 2007 o Brasil vem adotando estratégias para reduzir a incidência da trombose e a embolia pulmonar dentro dos hospitais. Hoje temos exames que precisam o diagnóstico, como o Doppler, por exemplo, mas ele não é obrigatório e não faz parte dois procedimentos hospitalares.

Última modificação em Sexta-feira, 29 de Outubro de 2010 - 07:11

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