FacebookTwitter Feeds RSS

Home Últimas Notícias Artigos Nova droga chega ao mercado nacional para o tratamento do diabetes tipo 2

Nova droga chega ao mercado nacional para o tratamento do diabetes tipo 2

Escrito por Redação - Quinta-feira, 30 de Setembro de 2010 - 20:29
Votar neste item
(1 Voto)

A partir deste mês, os pacientes brasileiros com diabetes tipo 2 têm mais uma opção para o tratamento da doença, o Onglysa (saxagliptina).  A nova droga que é o resultado de uma parceria entre a Bristol-Myers Squibb e a AstraZeneca, é da classe dos inibidores da dipeptidil peptidase-4 (DPP4) e indicado para o tratamento do diabetes tipo 2, como um adjuvante à dieta e exercícios para melhorar o controle do açúcar (controle glicêmico) em adultos.

Para o chefe da disciplina de Endocrinologia do Departamento de Clínica Médica da Unicamp, Marcos Antônio Tambascia, o desenvolvimento de novas drogas para o tratamento do diabetes reflete a necessidade mundial da doença. “ No Brasil são 11 milhões portadores do diabetes, onde a maior incidência está no tipo 2 da doença. No mundo, em 2015, serão 438 milhões de diabéticos”, comenta.

Aprovado em 2009 pela Agencia Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), Food and Drug Administration (FDA) e pela comissão européia, EMEA, a saxagliptina é uma terapia oral, que atua diretamente no mecanismo de funcionamento das incretinas, hormônios que estimulam a produção de insulina pelo pâncreas. Atualmente no Brasil, são utilizados inibidores de DPP4, como por exemplo, a vildagliptina, da Novartis,  comercializada com o nome de Galvus e a Sitagliptina, da MSD, comercializada com o nome de Januvia.

A saxagliptina pode ser utilizada em conjunto com medicamentos antidiabéticos orais geralmente prescritos - metformina, tiazolidinedionas ou sulfoniluréias (TZD) - ou como monoterapia, para reduzir os níveis de hemoglobina glicosilada (HbA1c). “Porem, seu nível de aceitação pelo organismo é muito maior com menor taxa de efeitos colaterais”, afirma.

Os estudos de fase III da nova terapia envolveram cerca de cinco mil indivíduos, sendo que mais de quatro mil receberam a saxagliptina. Durante todos os estudos, o tratamento com o medicamento proporcionou reduções importantes e estatisticamente significantes nas três medidas-chave de controle da glicose estudadas - HbA1c, glicemia de jejum (GJ) e glicemia pós-prandial (GPP) - quando em conjunto com a metformina, as sulfonyluréias e as TZDs, ou quando usado como monoterapia.

O medicamento chega no momento em que todos os esforços nessa área são fundamentais, já que, de acordo com o Ministério da Saúde, aproximadamente 11 milhões de brasileiros são diabéticos, sendo cerca de 90% portadores do tipo 2 da doença.

No mundo, dados da Organização Mundial de Saúde (OMS) revelam que o diabetes está se tornando a epidemia do século, afetando cerca de 246 milhões de pessoas em todo o mundo, porém cerca da metade das pessoas que têm diabetes desconhece ser portadora da doença.

Dados do atlas de diabetes da International Diabetes Federation (IDF) revelam que, em 2030, 438 milhões de adultos, 7,8% da população de 20 a 79 anos, terão diabetes. O maior crescimento deve ser registrado nos países em desenvolvimento.

A Bristol-Myers Squibb e a AstraZeneca assinaram um acordo de cooperação para possibilitar às empresas pesquisar, desenvolver e comercializar medicamentos experimentais específicos para o diabetes tipo 2. A cooperação entre a farmacêuticas visa o tratamento dos pacientes em escala global, melhorando os desfechos e criando uma nova visão para o tratamento do diabetes tipo 2.

Em entrevista ao PACIENTES ONLINE, Marcos Tambscia explica como pode ser o tratamento da doença e quais opções existem hoje no Brasil

POL – Como é possível controlar a doença?
Marcos Tambscia – Atualmente, no mundo, falo não somente do Brasil, mas de países ricos e bem desenvolvidos, a população de diabéticos tipos 2 gera cerca de 40% de pacientes não controlados. Ou seja, atualmente, falando de Brasil agora, as políticas públicas existentes não são capazes de controlar estes pacientes – a Organização Mundial de Saúde – trata o diabetes tipo 2 como epidemia – estamos falando de uma população de mais de 11 milhões apenas no Brasil. Esse numero é muito grande e complicado de administrar.

POL – E o avanço no tratamento, pode diminuir esse panorama?
MT – Atualmente temos drogas no País, que diminuem a produção do GLP1 -  pelos inibidores de DPP4 -  que destroem esse tipo de enzima produzido pelo intestino gerador de insulina para o organismo. Atualmente existem outros inibidores de DPP4 como a vildagliptina, da Novartis e a Sitagliptina, da MSD. Porem a saxaglipitina, da BMS e da Astrazeneca – vem com novidades para este tratamento por seu uma droga mais nova e experimentada. Ainda teremos lançamentos no mercado brasileiro, como por exemplo, a linaglipitina, da Boehringer que aguarda a aprovação dos órgãos internacionais. Esses inibidores suspendem as ações das sulfonylureas – drogas que aumentam a produção de insulina pelo organismo, porem causam riscos de hiperglicemia – hoje o maior índice de entrada nos prontos socorros é por hiperglicemia. Os inibidores só atuam em casos de hipoglicemia.

POL – E a cirurgia para a cura dói diabetes, como funciona?
MT – Quando falamos deste tipo de cirurgia, temos que falar também de obesidade mórbida. Esses pacientes tem grandes chances de ter diabetes do tipo 2 e para obesidade mórbida não existe tratamento, apenas a cirurgia bariátrica. Quando ela é feita, o paciente é curado do diabetes. Além da redução do estoma é feito um desvio do intestino – desvio que favorece pela passagem de alimentos o aumento da GLP1. Hoje são feitos estudos para realizar este tipo de cirurgia em pacientes que não são obesos mórbidos. Estas técnicas ajudariam a diminuir o tipo de obesos no mundo.

Última modificação em Sexta-feira, 22 de Outubro de 2010 - 21:00

Fazer um comentário