Com aplausos da classe média segundo pesquisas palacianas informais, vão inibir saliências parecidas em outros ministérios e dar um susto para valer nos comensais políticos no Congresso dessas farras – e não apenas no agora acuado PR.
Partidos e congressistas são às vezes dados a bravatas, a mandar recados mais ou menos explícitos, mas este não é o forte deles. Até porque todos, dos maiores aos menores, não vislumbram vida útil fora de sombra e água fresca do imenso guarda chuva oficial. O estilo deles é a tocaia quando algo desagrada. E, no momento, andam, em maior ou menor grau, todos infelizes, os diretamente atingidos e os que temem que o novo “bateu levou” de Dilma vá fazer novas vítimas a cada nova denúncia.
A limpeza no Ministério dos Transportes tornou-se um imperativos, tal o que se começou as revelar, e uma boa oportunidade para a afirmação da presidente, ante tutores – e pretensos a tais – vários. Pode ser um marco no governo Dilma, como ela e os seus mais próximos parecem acreditar. E torcem boa parte dos brasileiros. Mas pode ser apenas episódio, para tudo depois voltar ao rosário de sempre. É ilusão que as histórias no Transporte são fato isolado e somente surgiram agora. No máximo podem ser a mais grave.
Por isso, os desafios para a presidente Dilma em novo estilo, longe daquela figura que parecia pedir desculpas para aparecer a fazer alguma coisa, vai começar de fato após o fim da faxina nos Transportes, a montagem de uma nova equipe por lá e, indispensável, a adoção de novos procedimentos no setor. Isto é o básico e na conversa que teve com jornalistas na sexta-feira a presidente reafirmou a disposição de ir até o fim. Assim seja.
Depois disso, ela terá de refazer as bases de seu relacionamento com a base aliada no Congresso, partidos, grupos partidários e parlamentares individualmente. Ela herdou essa base, o tipo de relação estabelecida e dela se beneficiou também para se eleger, embora deve boa parte do seu mandado ao empenho do presidente. Dilma não estava ignorante do esquema. E o esquema, sabe-se, é franciscano – é dando que se recebe.
O PR recebeu o seu quinhão e deve fez “bom” uso, como são as normas do “presidencialismo de coalizão” que está instalado no país. O modelo se repete, em maior ou menor grau, em outros ministérios e órgãos públicos, preservados algumas áreas e excelência e ministérios vitais, essenciais. Não há invasões de nenhuma horda no BC, na Fazenda, no Planejamento, na Casa Civil. A Saúde, ao que tudo indica, foi saneada. Mas até áreas estratégicas, como a Petrobrás sofreram intromissões – basta ver que há diretorias do PMDB, do PP.
Não há como fugir às indicações políticas. Mas há indicações políticas e “indicações políticas”. E é isto que Dilma terá de dizer aos aliados agora para evitar outras “surpresas” tipo DNIT e Valec mais na frente. Talvez ela tenha até de fazer outras “readequações” em outros setores e Ministérios para buscar a paz. A questão é saber o cacife de que ela dispõe. Não é pequeno, via Diário Oficial, a caneta que nomeia e demite e até a simpatia da opinião pública. Porém, não é um cacife absoluto.
Não vai ser um embate fácil o que a presidente terá nas próximas semanas. Até porque nem alguns de seus mais badalados aliados acham que é necessário mudar o acordo de poder que foi celebrado para elegê-la. Eles acham que o caso dos Transportes é apenas um percalço, ou um desvio maior de rota e não um caso de estrutura política.
José Marcio Mendonça é jornalista.
Dilma e seu dilema
Escrito por Redação - Segunda-feira, 25 de Julho de 2011 - 08:15Ainda vão ser necessárias duas ou três semanas para se saber se a faxina (ela prefere o termo “restruturação”) que a presidente Dilma Rousseff está fazendo no Ministério dos Transportes.
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Saúde da Política

















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