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Home Saúde da Política Ensina a voz popular que há males que vêm para o bem

Ensina a voz popular que há males que vêm para o bem

Escrito por Luciano Palumbo - Segunda-feira, 18 de Julho de 2011 - 07:29
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Guardadas distâncias, na política brasileira pode-se extrapolar esse ditado e dizer que, em determinadas circunstâncias, que há crises que em parte também vêm para o bem.

É o caso das agruras pelas quais passou e está passando a presidente Dilma Rousseff nos últimos três, metade do seu até aqui curto governo. Primeiro, com o caso Palocci, por ora – até quando? – esquecido e agora pelas estripulias no Ministério do Transporte, que ainda vai dar muita dor de cabeça do Palácio do Planalto antes de ir para o ostracismo, provavelmente substituído por outro de maior ou menor grau de dor de cabeça.

O primeiro aspecto, digamos assim, “positivo” das ocorrências (um tanto quanto policiais, daí o termo) é que elas permitiram à presidente agir (vacilente no Palocci, mais objetiva nos Transportes) de moto próprio, livrando-se de um certo modo de auxiliares que não comungavam com sua fé, oravam mais no altar de seu antecessor.

No fundo, deixou os aliados um pouco apreensivos. Se ela vai manter esta linha, se as ações na foram combinadas por baixo do pano para não causar ciumeiras, só saberemos com o tempo. Mas o aperitivo foi apreciado.

O outro, conseqüência do primeiro, parece mais relevante para a presidente. Com as crises a rondar o governo, que exacerbadas respingariam em todos, os partidos aliados e o Congresso mantiveram-se mais “maneiros” para não agravar a situação. Amuos, queixas, ameaças, apareceram (e ficaram), mas em tom mais ameno. Falou um certo instinto de sobrevivência, todo mundo esperando no que vai dar para ver como fica. Ganhou Dilma uns dias de trégua.

O que livrou o governo, no final do primeiro semestre legislativo, de pelo dois confrontos na Câmara que ele quer evitar, pois se eles vierem a ocorrer, e em um momento isto não será mais evitável, a derrota pode ser certa. Trata-se, como já comentado aqui neste espaço em outras ocasiões, da votação do projeto de lei que regulamenta a emenda 29 da Constituição (mais recursos obrigatórios para a Saúde) e o Projeto de Emenda Constitucional 300 (aumenta salários das polícias militares e civis em todo o país e dos bombeiros).

Os dois são execrados na área econômica, independentemente da análise sobre serem justos ou não, porque significam aumentos de gastos nas três esferas de governo. E sem cortes de outras despesas, coisa que eles não parecem dispostos a fazer na profundidade desejada, desarrumariam as contas públicas, com reflexos em juros, inflação, etc. Cobertor curto é assim.

Esses são problemas na Câmara. Do mesmo modo, as crises ajudaram o governo  no Senado a empurrar para a frente a discussão e votação do novo Código Florestal, que tanto desgaste já provocou para ele em alguns setores influentes da sociedade e dividiu sua base aliada, na maior derrota de Dilma até agora na Câmara.

A crise engolfou de certo modo o Congresso e os deputados e senadores foram sexta-feira para umas férias de 15 dias deixando a presidente com tempo para respirar, pelo menos por esse lado. Contudo, a regulamentação da emenda 29, a PEC 300 e o Código Florestal, são projetos importantes, polêmicos, que não poderão ser postergados até o infinito. Nenhum deles pode esperar muito mais, tais as pressões que existem. É com esse contencioso e um olhar atento para o que está ocorrendo na economia mundial que a presidente terá de se deparar daqui para a frente. Sem contar as estripulias dos próprios parceiros, pois nunca se saberá se com Palocci e o Ministério dos Transportes a cota deles estará de fato encerrada.

José Marcio Mendonça
é jornalista.

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