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O novo e velho Sistema Único de Saúde

Escrito por Redação - Terça-feira, 12 de Julho de 2011 - 07:55
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Em artigo publicado no jornal carioca “O Globo” em sua edição de sábado passado (9/7), o ministro da Saúde, Alexandre (Rocha Santos) Padillha (assim, de modo formal, ele faz questão de assinar o texto) celebra as possibilidades de aperfeiçoamento do gerenciamento do SUS abertas a partir de um decreto assinado pela presidente Dilma Rousseff no dia 28 de junho.

Curioso, entre parênteses, que documento de tal importância segundo Padilha, naturalmente seu organizador, tenha passado tão despercebido, ainda mais tratando de um dos maiores problemas da administração pública brasileira que é a qualidade dos serviços de saúde. Um tanto de atenção do próprio setor, falhas na divulgação oficial, desatenção do mundo político e de boa parte da imprensa, muitas vezes perdidos no periférico, no barulhento, em detrimento do essencial.

De acordo com o ministro da Saúde, o decreto, regulamentando a lei organiza do SUS, 22 anos após a sua criação, cria “regras claras e objetivas para nortear a gestão de saúde pública” ao estabelecer as responsabilidades nesse trabalhado de cada um dos entres federados – a União, os Estados e os municípios. Ou seja, a divisão de trabalho. Diz o ministro, entre outras coisas, que o novo modelo vai permitir os executores que fizerem suas funções com eficiência e cobrar melhor daqueles que não cumprirem as metas de universalização e qualidade.

(Vale a pena ler o artigo, cujo título é “O que muda no SUS.)

Tudo muito bom. Porém, segundo muitos especialistas, alguns entraves à oferta de bons serviços, continuam, mesmo com a maravilha anunciada por Padilha. E não se trata da velhíssima discussão da escassez crônica de recursos para os serviços médico-hospitalares oficiais. Esta é uma questão recorrente e de solução quase impossível a longo prazo.

A questão é outra e não parece encaminhada pelo menos pelo que se lê na descrição do decreto feita pelo ministro da Saúde: a falta de autonomia financeira (recursos próprios, arrecadados por eles mesmos) dos municípios, os responsáveis pela execução dos serviços, para organizar suas políticas locais, a partir das orientações gerais de Brasília. Tudo bem de cima, muitas vezes em confronto com realidades locais e regionais em um país em tudo por tudo com tantas carências distintas.

Mas esta é uma questão política, de poder – coisa que ninguém quer dividir. E passa primeiro por uma reforma tributária, apenas um sonho e verão, inverno, outono e primavera. Como continua sonho a regulamentação da Emenda Constitucional 29, aquela que dará mais cerca de R$ 10 bilhões anuais para a saúde. Por bons e maus (acuar o governo) motivos os partidos da base aliada, como PT junto, assinalaram que poderiam votar a proposta definitivamente na Câmara até o início das férias parlamentares deste ano sexta-feira.

A área econômica mais uma vez pisou em cima e os “valentes” partidos aliados preferiram cantar em palcos menos minados.

José Marcio Mendonça
é jornalista. 

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