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Colocando a casa em ordem

Escrito por Redação - Segunda-feira, 13 de Junho de 2011 - 07:46
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As trapalhadas do ex-ministro Antônio Palocci em suas consultorias, antes mesmo de provocaram o freio de re-arrumação em postos politicamente chaves do governo Dilma Rousseff, reabriram uma discussão no Brasil já velha desde os temos de Cabral: o esquema de negociações políticas do Executivo com o Legislativo e com os partidos políticos.

De novo entraram em cena velhos preconceitos: de um lado elogiava-se a determinação de presidente Dilma Rousseff de brecar um tanto a imensa apetite dos políticos e de seu partido. De, outro, condenava-se Palocci (para não condenar Dilma, pois afinal a palavra final é dela, sempre) por demorar em atender aos pleitos político-partidários. Ora, as duas posições, exacerbadas, estão equivocadas.

É bom lembrar que o governo é um ente político, não uma mera entidade tecnocrática. Portanto, o governo tem deve fazer política, ou seja, conversar com os diversos atores sobre seus variados interesses, conciliar e depois decidir. Não pode querer decidir primeiro para depois tentar convencer todos a aceitarem seu ponto de vista, como estava sendo o viés de Dilma nesses seus primeiros cinco meses de governo.

Resumindo o dito acima, enfim cabe ao governo negociar, no sentindo menos chão do termo, barganhar. Há, assim,.na política da política como na economia, negociações boas e negociações más, negociações legítimas e negociações fisiológicas, ilegítimas e até ilegais. As primeiras são normais em qualquer democracia, as outras, nos bons lugares, se aparecem, acabam em cadeia.

Assim, não é nada anormal os partidos reivindicaram postos no governo, divisão de tarefas e também não é antinatural que os políticos queiram carrear recursos para obras e projetos em seus territórios de origem, desde que tais planos se enquadrem nas prioridades gerais para o país como um todo. Tudo bem – desse modo. O problema no Brasil é que a coisa extrapola, pela busca de vantagens pessoais e eleitorais por parte de boa parte de políticos e partidos.

A crise de permeou o último mês da presidente Dilma foi explicitada pelo episódio Palocci. Ela é anterior e vem da intenção (e estilo) da presidente de negar a política. Dilma não nem a boa política nem a má política. Acabou ficando desgastada tanto com os bem intencionados, com os mais ou menos e também até com os maus.

O desafio da presidente, feitos os arranjos em sua equipe, incorporar a política a seu governo, com a ressalva de tentar separar o fisiologismo do legítimo. E precisará muito de suas duas novas ministras, Glesi Hoffman e Ideli Salvatti, ainda duas incógnitas como operadoras políticas e olhadas de soslaio pelos partidos da base aliada.

José Marcio Mendonça
é jornalista.

Última modificação em Domingo, 12 de Junho de 2011 - 23:50

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