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Quando a boa intenção pode atrapalhar

Escrito por Redação - Segunda-feira, 30 de Maio de 2011 - 07:23
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Quando há cerca de dois anos, foi definitivamente demarcada a reserva indígena de Raposa Serra do Sol, em Roraima, em uma área contínua, após árdua disputa entre ambientalistas e defensores dos direitos indígenas de um lado e o pessoal mais ligado ã produção e aos negócios de outro, houve quem advertisse que como estava, estava se criando um possível desastre. A intenção dos defensores da remarcação era preservar os índios que viviam secularmente região e os seus bens assegurados na Constituição. O governo Lula empenhou-se decididamente nesse processo e colheu grandes aplausos no Exterior.

Agora, tão pouco tempo depois, o governo substituto de Lula, o da presidente Dilma Rousseff, mais preocupado até que o de seu criador com a imagem ambiental e social do Brasil no exterior, tem de correr para evitar (se em alguns casos na for tarde) para evitar que a demarcação da área de Raposa Serra do Sol, não se torne de fato um grande desastre social para os índios e para boa parte dos não indígenas que trabalhavam na região antes de ela tornar-se uma reserva contínua dos silvícolas.

É impressionante o relato da situação de grande parte das pessoas feito pela revista “Veja” desta semana – “Uma reserva de miséria”. Um resumo da desesperada ópera: “A demarcação da Raposa Serra do Sol, em Roraima, empurrou centenas de índios para a periferia de Boa Vista e converteu agricultores outrora prósperos em cidadãos pobres”. Estima a revista que está havendo uma perda econômica de 200 milhões de reais por ano, no Estado de menor PIB no país.

Quando a demarcação foi negociada o governo prometeu – e registrou a promessa na Justiça Federal – que nem os agricultores nem os índios teriam prejuízos. Os agricultores porque deixariam de produzir, principalmente arroz, e os indígenas porque boa parte deles trabalhava nas lavouras. A situação vai exigir que o governo abra agora os cofres.

Esta é uma situação de que deve servir de alerta para todos os lados envolvidos ainda no debate sobre o novo Código Florestal Brasileiro. O tema deve ser discutido racionalmente, com maturidade, sem o radicalismo e o sentido ideológico que muitos estão pondo no debate Mesmo as melhores das intenções costumam dar errado quando perdem o foco e a raciaonalidade.

José Marcio Mendonça
é jornalista.

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