Saúde, formação e informação
26/07/2010 - 00:06
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José Marcio Mendonça
Deu-se grande destaque na semana passada ao fato de o Brasil ter registrado, para as eleições de outubro, o contingente de 135,8 milhões de eleitores para uma população de pouco mais de 190 milhões de habitantes. Atingimos a “inclusão eleitoral” quase plena, uma democracia (nas urnas) de massa, com mais de 2/3 dos brasileiros cidadãos-eleitores.
Porém, os registros consolidados do Tribunal Superior Eleitoral trazem também uma informação preocupante: desse total, 27 milhões, ou seja, mais de 20%, são analfabetos ou apenas sabem ler ou escrever sem terem frenquentado com assiduidade nenhuma escola formal. Se levarmos em contra o que se classifica como “analfabetismo funcional”- pessoas que sabem ler, escrever e tiveram alguma educação formal, mas não conseguem entender bem o que lêem? Chegaremos a mais de 50% de eleitores com pouco formação e informação política.
Estes, obviamente, estão mais sujeitos a influências emocionais na hora de suas decisões, mais sensíveis às campanhas marqueteiras no rádio e na televisão e também ao jogo do fisiologismo. O que sempre prejudica a qualidade de nossa representação política, não resta a menor dúvida. A capacidade de escolha do eleitor fica naturalmente comprometida.
Esta falha do nosso sistema educacional, que não consegue alfabetizar uma parte importante dos brasileiros menos ainda de formá-los e informá-los satisfatoriamente, como sabemos, não se reflete apenas quando ele vai para as urnas e isso compromete em parte nossa cultura política e nossa evolução democrática e mesmo a capacidade desses cidadãos de melhorar sua renda e sua qualidade de vida..
Atinge aspectos da vida cotidiana nacional que chegam a ser assustadores. Veja-se, na área que este portal aborda, o que registra recente pesquisa divulgada pelo jornal “Folha de S. Paulo”. Uma em cada quatro pessoas submetidas a um teste escrito no Hospital das Clínicas de São Paulo não compreende a orientação médica recebida no local, mesmo formalmente sabendo ler e escrever. E há pessoas nesta lista que freqüentaram até o segundo grau.
As conseqüências disso, não precisamos dizer, são riscos para a própria vida do paciente, no limite. Tal constatação aumenta a responsabilidade dos profissionais de saúde em relação a seus pacientes, exigindo deles informar mais, informar melhor, tentar suprir as deficiências mais elementares do nosso sistema educacional.
Mais deveria principalmente despertar mais atenção de nossos governantes e pretendentes a governantes em relação às nossas iniqüidades sociais. Para além das promessas de vésperas de eleições.