A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizou a comercialização de um kit descartável, desenvolvido por pesquisadores da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF). O kit identifica o tamanho exato da lesão mamária descoberta em estágio inicial, ainda não perceptível por meio de auto-exame.
A criação da tecnologia, que recebeu o nome de BLD Marker (sigla em inglês que significa marcador da lesão mamária), só foi possível devido ao Programa de Incentivo à Inovação (PII) do Sebrae-MG e da Secretaria de Estado de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, que transforma pesquisas acadêmicas em negócios.
As lesões de mama, mesmo pequenas, devem ser retiradas cirurgicamente para análise. Para isso é realizado um processo radiológico chamado estereotaxia. Essa técnica consiste na injeção de uma sonda na mama para localização da lesão.
“Para verificar se a sonda foi posicionada corretamente no tumor mamário, utiliza-se o contraste com iodo. O contraste iodado é um método adequado para tecidos líquidos. Mas em tecidos sólidos, como é o caso da mama, ocorrem vários problemas”, explica a pesquisadora Nádia Raposo.
O iodo se dispersa rapidamente pelo tecido mamário, não faz a marcação exata da lesão a ser retirada, pode causar alergias e é absorvido pelo corpo em cerca de 3 minutos, dificultando a precisão do diagnóstico que é feito por radiografia.
A nova tecnologia criada na UFJF substitui o iodo por uma substância insolúvel, que não causa alergia. Essa substância não se espalha pelo tecido, identificando o local exato da lesão e reduzindo a quantidade de tecido mamário a ser extirpado da paciente.
Segundo Sérgio Vitral, mastologista que participou da pesquisa com a professora Nádia Raposo, o BLD Marker executa duas funções: diagnóstica e terapêutica. “Se o médico retirou a lesão por inteiro, não haverá necessidade de uma nova cirurgia, caso a biópsia indique resultado positivo para o câncer”, acrescenta Vitral.
O gerente de Inovação e Tecnologia do Sebrae-MG, Anízio Dutra Vianna, ressalta a importância do Programa de Incentivo à Inovação (PII), que transforma o conhecimento acadêmico em soluções que beneficiam a sociedade. “A tecnologia do BLD Marker foi vendida para a empresa SR Rodrigues, que produz produtos descartáveis para a área da saúde. Em breve a tecnologia poderá conter o avanço do câncer de mama”, afirma Anízio.
Diagnóstico mais preciso
Escrito por Redação - Segunda-feira, 25 de Abril de 2011 - 07:05Tecnologia criada por pesquisadores de Minas Gerais facilita identificação de lesão e torna tratamento menos agressivo.

















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